11 de março de 2020, às 16:46

PROPRIÁ | Escola da Rede Pública Estadual recebe projeto “Diversidade e Direitos Humanos na Escola”


O município de Propriá, no Baixo São Francisco Sergipano, foi o segundo município a receber o projeto “Diversidade e Direitos Humanos na Escola”. Realizada pela Secretaria de Estado da Inclusão e Assistência Social (SEIAS), em parceria com a DRE-06 [Diretoria Regional de Educação da Secretaria de Estado da Educação e Cultura – SEDUC], a palestra aconteceu no Centro de Excelência Joana de Freitas Barbosa na última quarta-feira (10), agregando estudantes do Colégio Estadual João Fernandes de Britto. Com o objetivo de contribuir para o combate às diversas formas de violência nas escolas, em especial, a LGBTfóbica, o projeto será levado ainda para escolas públicas dos municípios de Neópolis (12.03) e Pacatuba (20.03).

A receptividade dos estudantes foi destaque já na abertura, com uma performance teatral que fez referência ao assassinato da transexual Dandara dos Santos, em 2017. O estudante Pedro Sampaio, de 15 anos, participou da apresentação e destacou a importância da reflexão sobre o tema. “Eu me senti feliz por fazer um papel tão importante e triste, da travesti Dandara, que foi apedrejada e morta violentamente. Eu sou homossexual e já sofri homofobia uma vez, quando um grupo de jovens me agrediu. Com a palestra aqui hoje, aprendi como me expressar e a lidar com esse tipo de situação. Acredito que, a partir de agora, a consciência da maioria dos alunos vai mudar”, disse o estudante do 1º ano do ensino médio.

A palestra abordou conceitos sobre direitos humanos, diversidade de gênero, orientação sexual e informações sobre a concepção identitária de pessoas LGBTQI’s (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, pessoas Queer’s e Intersexuais). “Assim que cheguei à escola, me senti muito bem. O espaço ornamentado com as cores do arco-íris prova o quanto a gestão está antenada e aberta à discussão da temática. Aqui em Propriá, os alunos foram bastante receptivos. A apresentação de abertura trouxe um pouco da realidade do que é ser LGBT no Brasil, país que mais mata pessoas LGBTs no mundo. Saímos daqui com o sentimento de dever cumprido”, destacou a palestrante e referência técnica em Políticas Públicas para a população LGBTQI+ da SEIAS, Adriana Lohanna.

O diretor do Centro de Excelência Joana Freitas Barbosa, Ary da Silva Rodrigues Souza, parabenizou a iniciativa. “É um tema bastante importante para os alunos e estamos de portas abertas para todas as ideias que possam colaborar com o trabalho que fazemos no ensino integral”. Para Glaedson Novaes Pinto, diretor do Colégio Estadual João Fernandes de Britto, temas como este precisam ser trabalhados no ambiente escolar. “No começo deste ano, tivemos um aluno homossexual que tirou a própria vida, aos 16 anos. O conjunto de situações que perfazem a vida de um homossexual é de exclusão. Nossa cultura e nossa sociedade é homofóbica, a escola precisa reverter isso”, afirmou.

A estudante Sarah Medeiros, de 17 anos, defende que os jovens podem mudar a cultura da lgbtfobia. “O bullying pela orientação sexual ocorre principalmente nas escolas, então foi muito importante ter essa palestra aqui. A nossa geração pode mudar a realidade que temos hoje em dia”, disse a aluna do 3° ano do ensino médio. Para a diretora do Serviço de Planejamento e Ensino (SEPLEN) da DR6, Thaís Silva Lima, mostrar que existe pluralidade no âmbito escolar ajuda os jovens a respeitar a subjetividade de cada um. “Este é um momento de informação, instrução e, acima de tudo, de respeito. Agradeço muito a oportunidade de fazer parte da equipe da DR6, criando novas oportunidades de aprendizados sociais”, disse.

PRESENÇAS


Também prestigiaram o evento a presidente da Associação a Diversidade em Ação em Busca da Cidadania LGBT do Baixo São Francisco – AADA LGBT, Daniela Gaspareli; o presidente da Câmara de Vereadores de Propriá, José Aelson dos Santos; e a Miss Sergipe Trans, Priscila Martins, que destacou a importância do projeto. “Nosso país está passando por uma fase muito turbulenta na questão da liberdade de expressão, liberdade de gênero e identidade sexual. Realmente é um tema que precisa ser debatido constantemente nas escolas, para que nossos jovens sejam respeitados e também aprendam a respeitar as individualidades de cada pessoa”, afirmou a Miss Sergipe Trans.

Fotos: Pritty Reis 

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