6 de março de 2020, às 13:28

Alunos de Escola Pública de Aquidabã recebem palestra sobre diversidade sexual e combate à LGBTfobia


Projeto Diversidade e Direitos Humanos na Escola envolve quatro municípios; uma parceria entre SEIAS e DRE-06/SEDUC

O Colégio Estadual Francisco Figueiredo, no município de Aquidabã, foi a primeira instituição pública de ensino a receber o projeto “Diversidade e Direitos Humanos na Escola”, realizado pela Secretaria de Estado da Inclusão e Assistência Social (SEIAS), em parceria com a DRE-06 [Diretoria Regional de Educação da Secretaria de Estado da Educação e Cultura – SEDUC]. O projeto foi iniciado nesta quinta-feira (05), com o objetivo de contribuir para o combate às diversas formas de violência nas escolas, em especial, a LGBTfóbica, através de palestras educativas sobre direitos humanos, diversidade de gênero e orientação sexual. Os próximos municípios a receber o projeto serão Propriá (10.03), Neópolis (12.03) e Pacatuba (17.03).

Em clima de bate-papo com os estudantes, a palestra foi realizada pela referência técnica em Políticas Públicas para a população LGBTQI+ da SEIAS, Adriana Lohanna. Nascida em Aquidabã, ela conta que escolheu o colégio que estudou para ser a primeira instituição de implantação do projeto. “Foi nesta escola que eu estudei e também sofri enquanto pessoa trans. Este é um momento de muito orgulho, por ver os alunos tão interessados. Tenho certeza que um aluno LGBT, a partir de hoje, se sentirá muito mais incluso e acolhido na escola, não somente pelos seus colegas de classe, mas também pelos professores. Esse é o nosso trabalho, fazer política pública que traga informação para combater a violência e o preconceito que a população LGBT vive na sociedade”, afirmou.

Os estudantes puderem conhecer mais sobre conceitos e termos que envolvem sexo biológico, orientação sexual, sexualidade e identidade de gênero. Também foram passadas informações sobre a concepção identitária de pessoas LGBTQI’s (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, pessoas Queer’s e Intersexuais). Thales Ramon, de 16 anos, está no 2° ano do ensino médio e acredita que o combate à violência começa com o respeito. “A gente precisa de mais informação para saber sobre a lgbtfobia e lutar contra ela. Eu já presenciei casos de homofobia e, para mim, o respeito é tudo”.

Para a estudante Julie Kethellen Mota, de 16 anos, o evento foi uma oportunidade para quebrar tabus e estigmas. “Palestras como essa fazem com que a gente abra mais a mente, já que não falamos tanto desse assunto, muitas vezes por vergonha. Este momento nos proporcionou mais liberdade para nos expressar e é o diálogo que leva ao conhecimento”, avaliou a aluna do 1º ano do ensino médio. Também para a coordenadora pedagógica da escola, Alynne Suely, o conhecimento é a principal forma para combater o preconceito. “São temas importantes que, muitas vezes, por não serem bem compreendidos, geram problemas, como a violência e o desrespeito. Não importa gênero, cor, orientação sexual, condição financeira. O que importa é que somos todos seres humanos, temos o direito de ir e vir e de sermos quem quisermos”, opinou a coordenadora.

O diretor da DRE-06, Max Cardoso, destacou que o retorno dos alunos foi surpreendente. “É papel da Educação trazer conhecimento aos estudantes, mostrar tabus e enigmas que a população cultiva e acaba reproduzindo sem reflexões. Trabalhar com o tema LGBTQI+, abrindo para perguntas e questionamentos, mostra que estamos em uma sociedade cada vez mais evoluída e crítica. O momento foi maravilhoso e a reação dos alunos foi admirável; todos engajados e curiosos. É uma oportunidade enriquecedora e, com certeza, vamos atingir os objetivos da nossa ação, fazendo a transformação acontecer nas escolas”, disse.

|Fotos: Pritty Reis

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